Cooperativismo

O que é cooperativismo: entenda esse modelo de negócio

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Existe um modelo organizacional no qual os trabalhadores também são donos do próprio negócio. Estamos falando do cooperativismo. Essa filosofia permite a união de interesses aparentemente antagônicos, como desenvolvimento econômico e desenvolvimento social. A ideia é que todas as pessoas prosperem juntas, o que garante a elas melhores oportunidades e um futuro mais justo.

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Quer entender os detalhes? Então continue conosco. A seguir, vamos contar a origem desse conceito, explicar como funciona uma cooperativa e destacar os princípios que norteiam esse tipo de associação.

Definição de cooperativismo (e um pouco de História)

O cooperativismo pode ser definido como a colaboração entre pessoas com interesses em comum. Quando elas se juntam, conseguem vantagens que dificilmente conquistariam sozinhas.

O começo de tudo foi em 1844, na cidade de Rochdale, interior da Inglaterra. Na época, 27 homens e uma mulher decidiram montar um armazém. Eles adquiriam alimentos em grande quantidade para obter preços melhores. Depois, repartiam igualmente as compras entre os membros do grupo.

A estratégia não só permitiu a sobrevivência desses trabalhadores, como os fez prosperar. Após 12 anos, a Sociedade dos Probos de Rochdale contava com 3.450 sócios – e um capital que saltou de 28 libras para 152 mil libras.

No Brasil, a cultura cooperativista ganhou força no fim do século XIX, nos estados de Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. A cooperativa de crédito mais antiga, e ainda em atividade, foi fundada em 1902, no município de Nova Petrópolis/RS.

Como funciona uma cooperativa

As sociedades cooperativas são formadas por indivíduos que exerçam uma atividade econômica em comum. Elas não visam ao lucro, mas, sim, à prestação de serviços aos associados. As regras para o funcionamento estão descritas na Lei Nº 5.764/71, que define a Política Nacional de Cooperativismo.

Uma cooperativa pode ajudar produtores rurais a adquirirem equipamentos agrícolas, por exemplo, ou oferecer empréstimos a juros baixos. Também pode promover cursos de capacitação para qualificar os trabalhadores.

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Quem define os rumos do negócio são os próprios cooperativados. Todos têm poder de voto em assembleias. Isso permite que as decisões conjuntas contemplem os interesses coletivos tanto quanto os individuais.

Há diferentes segmentos do cooperativismo, conforme o ramo de atuação e as necessidades dos envolvidos. A lista foi atualizada em 2020, chegando à seguinte classificação:

  • Agropecuário;
  • Crédito;
  • Transporte;
  • Trabalho, Produção de Bens e Serviços;
  • Saúde;
  • Consumo;
  • Infraestrutura.

Estima-se que uma em cada sete pessoas no mundo esteja ligada ao cooperativismo. O movimento está presente em pelo menos 100 países e é responsável por 250 milhões de empregos. Os dados são do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras).

7 princípios do cooperativismo

Mas qual será o segredo para a longevidade do espírito cooperativista? Talvez a resposta esteja nos princípios norteadores desse modelo organizacional. São valores sólidos, que vêm sendo reforçados desde o início das atividades em Rochdale, no ano de 1844. Acompanhe:

1. Adesão voluntária e livre

Qualquer pessoa interessada em participar de uma cooperativa é bem-vinda, desde que esteja alinhada ao objetivo econômico da instituição e disposta a assumir a responsabilidade. Não existe discriminação por gênero, etnia, classe, ideologia política ou crença religiosa. Essa máxima também se aplica às centrais e federações (cooperativas de cooperativas) e às confederações (cooperativas de federações).

2. Gestão democrática

O controle de uma cooperativa é exercido por todos os seus membros. Eles podem – e devem – participar ativamente da formulação de políticas e das tomadas de decisão. Para que esse processo ocorra de forma organizada, são conduzidas eleições, nas quais se escolhem os representantes oficiais do grupo. Ou seja: a gestão dos trabalhos se baseia numa postura democrática.

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3. Participação econômica dos membros

Assim como têm o direito de tomar decisões, os cooperativados têm o dever de contribuir com o capital da organização. O montante se torna propriedade comum da cooperativa – para aquisição de equipamentos, custeio das atividades etc. Se houver excedente, o dinheiro pode ser revertido em benefício dos membros. A destinação dessa quantia costuma ser definida em assembleia.

4. Autonomia e independência

Cooperativismo sempre foi sinônimo de liberdade. Portanto, nada deve mudar isso. As cooperativas até podem firmar acordos com outras organizações públicas ou privadas, mas o controle democrático tem de continuar nas mãos dos membros. Essa independência em relação aos demais poderes é o que favorece  a ajuda mútua entre os participantes, com base nos seus interesses comuns.

5. Educação, formação e informação

Uma das funções do cooperativismo é atuar no desenvolvimento das comunidades nas quais as associações estão inseridas. Isso se faz com educação. Palestras, cursos técnicos e workshops contribuem para a capacitação dos associados. Assim, eles podem qualificar ainda mais seus negócios, gerando produtividade e conquistando mais competitividade de mercado. E, claro, trazendo mais retorno financeiro às próprias cooperativas.

6. Intercooperação

Cooperar significa trabalhar em conjunto. A soma das partes dá força para o movimento seguir adiante. Porém, às vezes, essa união não fica restrita a estruturas locais. Pode haver cooperativas regionais, nacionais e, por que não, internacionais. O que importa é agir em prol do bem comum, independentemente de barreiras geográficas ou culturais.

7. Interesse pela comunidade

Ainda que o cooperativismo possa se espalhar pelo mundo inteiro, a fagulha inicial parte de comunidades menores. Existe uma intenção genuína de agir em favor do desenvolvimento sustentável, e isso sempre começa numa escala micro. Desse modo, as políticas aprovadas pelos cooperados levem em consideração a realidade do entorno, de forma que os problemas locais sejam sanados e a região prospere.

Resumindo, o cooperativismo valoriza as pessoas. São elas que ditam as regras para transformar sua realidade. Esses valores humanos contemplam os interesses coletivos com a mesma importância das aspirações individuais. O resultado é o equilíbrio da justiça social com a prosperidade econômica e da sustentabilidade com o lucro.

Gostou da ideia? Esperamos que o conteúdo de hoje tenha ensinado a você o que é cooperativismo e quais são os benefícios de uma cooperativa para os trabalhadores. Se quiser se aprofundar no assunto, continue acompanhando as novidades de nosso blog. Até a próxima!

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