Cooperativas de Crédito

Cooperativa de crédito: o que é e como funciona

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Se você já ouviu falar em cooperativa de crédito, mas não sabe muito bem do que se trata, veio ao lugar certo. Hoje vamos explicar como funciona esse sistema. Além da participação democrática dos associados, o dinheiro investido pode render mais. Parece bom, né? Então siga conosco e entenda os detalhes.

O que é uma cooperativa de crédito

A Cooperativa de Crédito é uma livre associação de pessoas com o objetivo de fornecer crédito aos participantes. Entram aí empréstimos, financiamentos e outros serviços similares.

Porém, há uma diferença significativa em relação ao sistema bancário: os cooperados são, ao mesmo tempo, clientes e donos do negócio. Por conta disso, eles podem decidir os rumos da organização. Essa característica faz com que as taxas sejam mais baixas, facilitando a inclusão de pessoas com recursos limitados – caso dos pequenos produtores e empreendedores, por exemplo.

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Outro ponto de destaque é que as cooperativas de crédito não visam ao lucro. Todo o dinheiro que sobra é repartido entre os participantes ou, então, reinvestido na própria instituição.

Ainda assim, os grupos fazem parte do Sistema Financeiro Nacional. As regras para o funcionamento desse tipo de atividade constam na Lei Nº 5.764/71, que define a Política Nacional de Cooperativismo, e em decisões posteriores, como a Resolução Nº 3.859, do Banco Central, que consolida normas relativas ao cooperativismo de crédito.

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Princípios que regem o cooperativismo

Antes de compreender ainda mais a fundo como funciona a gestão de uma cooperativa financeira, vale a pena conhecer os princípios do cooperativismo. São sete itens que compõem a doutrina por trás de todas as organizações. Acompanhe:

1. Adesão livre e voluntária

Qualquer pessoa que queira participar da cooperativa pode se tornar um membro. Não há distinção de gênero, estrato social, etnia, religião ou ideologia política.

2. Gestão democrática

Todos os participantes são sócios da organização. Sendo assim, podem – e devem – participar ativamente das tomadas de decisão. Os representantes do grupo são escolhidos em eleições.

3. Participação econômica dos sócios

O controle do capital também é exercido de maneira democrática. Parte desse montante é de uso comum, destinada a pagar as despesas operacionais. As sobras, por sua vez, são rateadas entre os associados ao fim de cada ano.

4. Autonomia e independência

Uma cooperativa é uma organização autônoma. Mesmo quando houver participação financeira de um agente externo, como o governo, o controle democrático feito pelos sócios deve ser preservado.

5. Educação, formação e informação

As cooperativas contribuem para o crescimento pessoal e profissional dos associados. Fazem isso por meio de palestras, cursos etc. Em paralelo, devem informar ao público geral sobre suas ações, como forma de divulgar os benefícios do cooperativismo.

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6. Intercooperação

O movimento cooperativista acredita na união. Ainda que um grupo de associados defenda seus interesses locais, o trabalho para o fortalecimento desse modelo de negócio pode envolver estruturas regionais, nacionais e até internacionais.

7. Interesse pela comunidade

As políticas aprovadas pelos membros da cooperativa buscam o desenvolvimento sustentável de sua comunidade. Deve-se pensar na geração de emprego e na qualificação, fatores importantes para a prosperidade de um lugar.

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Como funciona uma cooperativa de crédito

Agora que listamos os princípios cooperativistas, fica fácil entender o funcionamento de uma cooperativa de crédito. Tudo se baseia em decisões de interesse comum.

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Primeiro, a pessoa decide associar-se à instituição e adquire cotas da cooperativa – uma quantia simbólica, apenas para demonstrar que há participação no negócio.

Em uma Instituição Financeira Cooperativa é possível abrir uma conta, obter cartão de crédito, fazer transações financeiras como pagamentos ou depósitos e, ainda, aplicar dinheiro em algum fundo de renda fixa.

Em acréscimo, há as assembleias. Essas são as ocasiões em que todos os cooperados se reúnem para definir o futuro da entidade. Eles elegem seus representantes, decidem onde alocar os recursos coletivos e realizam outras deliberações.

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No fim do ano, se ocorrer superávit, as sobras do exercício podem ser repartidas entre os associados. Outra possibilidade é reinvestir o montante para expandir as atividades da cooperativa de crédito.

História do cooperativismo de crédito no Brasil

O cooperativismo nasceu na Europa. Mais precisamente, em Rochdale, na Inglaterra, durante o século XIX. A partir de então, o modelo foi exportado para outros países e chegou à América Latina pouco tempo depois.

O responsável por esse cruzamento de oceano foi o padre jesuíta Theodor Amstad. Nascido na Suíça, ele desembarcou no Brasil para atuar nas colônias de imigrantes alemães do Rio Grande do Sul.

Enquanto celebrava as cerimônias pelas capelas do interior, o religioso também ia percebendo como as comunidades ainda viviam em situação precária. Decidiu, portanto, apresentar uma solução que fomentasse a prosperidade daquelas famílias. Sim, essa solução era uma cooperativa de crédito

Junto a outras 19 lideranças comunitárias, o padre construiu a Caixa de Economias e Empréstimos Amstad, que mais tarde seria rebatizada de Sicredi Pioneira RS. A sede da entidade situava-se na localidade de Linha Imperial, município de Nova Petrópolis. O ano era 1902 – e a associação continua operante até os dias atuais.

Avancemos aos anos 1920. Nessa fase, cooperativas gaúchas já tinham se unido para constituir a primeira central brasileira do setor, denominada Central das Caixas Rurais da União Popular do Estado do Rio Grande do Sul, Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Limitada. Porém, a ditadura militar trouxe mudanças na legislação que restringiram as condições de funcionamento do cooperativismo de crédito.

A consequência disso foi que o movimento minguou entre os anos 1960 e 1980. Somente após a abertura política e econômica do país que começou a reestruturação do sistema cooperativista. Na Região Sul, um dos que encabeçaram essa mudança foi Mário Kruel Guimarães. Desde a década de 1980, as cooperativas de crédito vêm se consolidando como uma alternativa viável aos pequenos produtores.

Houve programas governamentais que ajudaram nesse aspecto, mas também teve instabilidade dos planos econômicos, troca de moeda, hiperinflação e vários outros percalços pelo caminho. Ainda assim, as instituições autônomas e democráticas transformaram-se numa grande ferramenta para a inclusão econômica e social de seus membros.

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Por que aderir a uma cooperativa de crédito

Uma das principais vantagens das cooperativas são as taxas reduzidas. Muitas não cobram tarifas para os serviços bancários básicos e, quando cobram, praticam valores inferiores aos do mercado financeiro. Os juros dos empréstimos também são mais baixos, de modo que os cooperados consigam obter crédito pagando parcelas que caibam no seu bolso.

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Além disso, você pode ganhar mais dinheiro. Uma cooperativa de crédito é uma associação sem fins lucrativos, então há isenção tributária em situações como o depósito a prazo. Esse detalhe pode garantir uma reserva financeira com rendimentos maiores. Sem falar no rateio das sobras do exercício.

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Por fim, tem o propósito. Sendo cliente e sócio ao mesmo tempo, você participará de uma instituição que respeita suas necessidades individuais. Afinal, a comunidade só ganha quando cada cooperado próspera.

Como entrar numa cooperativa de crédito

Depois de conhecer o funcionamento, as vantagens e até a história das cooperativas de crédito no Brasil, nada mais justo que saber o passo a passo para associar-se, certo? Pois organizamos uma lista com os principais pontos que você deve levar em consideração. Acompanhe abaixo e prepare-se para reforçar essa corrente!

1. Analise o estatuto

O Estatuto Social é o documento que rege o funcionamento da cooperativa de crédito. Nele estão descritos o objetivo da organização, os direitos dos associados e outros pormenores. Antes de juntar-se ao grupo, vale a pena analisar o material para ter certeza de que o cooperativismo é para você.

2. Conheça os serviços

Cooperativas podem oferecer diferentes benefícios aos participantes. No ramo do crédito, é comum encontrar opções como financiamento, empréstimo, conta corrente e aplicações financeiras. Procure entender quais são as taxas e as contrapartidas desses produtos. Afinal, elas devem ser vantajosas ao cooperado.

3. Saiba se a organização é confiável

As cooperativas de crédito são monitoradas pelo Banco Central do Brasil. Convém investigar, junto ao órgão, se existe alguma irregularidade ou reclamação. Em paralelo, você pode se informar com pessoas que já participem do movimento para assegurar-se de que seu dinheiro será investido numa organização idônea.

4. Verifique os requisitos para participar

Seguindo os princípios do cooperativismo, qualquer pessoa é livre para aderir a uma associação desse tipo, contanto que esteja alinhada à filosofia e aos objetivos da instituição. Você se encaixa no perfil? Então basta reunir a documentação solicitada: documento oficial com foto, comprovante de residência e comprovante de renda.

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5. Procure uma agência

O próximo passo é seguir à agência mais próxima da cooperativa de crédito escolhida. O procedimento para a abertura da conta costuma ser bem simples, sem grandes burocracias. Contudo, pode haver análise de sua renda, procedimento para aferir a capacidade de arcar com os compromissos financeiros.

Assista ao vídeo abaixo e saiba mais sobre a Cresol:

6. Deposite a cota parte

Cooperados são clientes e sócios da cooperativa de crédito ao mesmo tempo, como já dissemos. Sendo assim, precisam injetar capital no negócio para ter acesso aos serviços disponibilizados. A cota parte corresponde ao valor mínimo para depósito, suficiente para cobrir as despesas operacionais. Ela varia conforme definido pelo Estatuto Social. Você pode adquirir quantas cotas quiser.

7. Participe das assembleias e reuniões

As assembleias são reuniões nas quais os participantes da cooperativa de crédito decidem o futuro da organização. É importante estar presente nesses encontros para fazer valer sua responsabilidade enquanto associado. Ah, e cabe ressaltar que todo cooperado tem direito a um único voto nas decisões coletivas, independentemente do número de cotas partes adquiridas.

Vantagens de uma cooperativa de crédito

Bem, se você chegou até aqui é porque realmente tem vontade de associar-se a uma cooperativa de crédito, certo? Então vamos sintetizar algumas das principais informações relativas a esse modelo de negócio. Veja, a seguir, sete benefícios válidos para qualquer participante. Vai dar vontade de abrir sua conta hoje mesmo!

1. Acesso facilitado ao crédito

Um dos maiores motivos para tornar-se um cooperado é a facilidade em obter empréstimos, financiamentos e outros produtos financeiros, mesmo quando se é pequeno produtor.

Em geral, uma pessoa sem grande patrimônio tem dificuldades para acessar o sistema bancário sozinha, pois não consegue apresentar garantias de pagamento da dívida. Esse cenário muda quando ela faz parte de um coletivo e dispõe de reservas mais robustas.

No mais, as taxas cobradas pelas cooperativas de crédito costumam ser reduzidas, se comparadas aos valores praticados por outras instituições. Essa diferença deixa as possibilidades de crescimento individual ainda maiores.

2. Rendimentos superiores

Não bastasse o acesso facilitado, as aplicações de uma cooperativa financeira ainda podem render mais. Isso ocorre porque organizações dessa natureza gozam de isenção tributária. Assim, com custos operacionais reduzidos, elas podem entregar produtos mais qualificados para seus clientes/sócios.

Os já citados depósitos a prazo se tornam uma boa maneira de fazer o dinheiro render acima da inflação. Se você tem uma grana extra para guardar, pode pensar em estratégias mais duradouras, como previdência privada e outros fundos de investimento. Essa medida trará ótimos rendimentos no futuro, ajudando sua família a viver com segurança, conforto e estabilidade.

3. Participação nos resultados

E o que dizer das sobras do exercício? Por lei, o cooperativismo não visa ao lucro. A consequência é que todo capital sobrando nos cofres da associação terá que ser repartido, ao fim do ano, entre os membros do grupo.

O destino dessa quantia deve ser definido em assembleia. Pode ser que os associados decidam reinvestir o dinheiro na própria cooperativa, seja para a compra de equipamentos, seja para a ampliação da rede de agências, por exemplo.

No entanto, os votantes também podem optar por embolsar os valores. Nesse caso você consegue acumular um montante extra na sua conta pessoal.

4. Gestão horizontal

O fato de haver votação para definir o destino das sobras do exercício expõe outra vantagem das cooperativas de crédito: a gestão democrática. Todo mundo é sócio, então todo mundo tem vez e voz na administração do negócio.

Embora haja representantes oficiais, escolhidos entre os participantes do grupo, eles não atuam como líderes onipotentes. Cada nova decisão exige consulta a todos os associados. A maioria decide o melhor caminho a seguir, respeitando-se os desejos e as necessidades da comunidade. 

E é bom reiterar: um cooperado tem direito a um único voto, mesmo que adquira diversas cotas de participação. No âmbito individual, mais dinheiro não significa mais poder.

5. Crescimento profissional e pessoal

O acesso ao crédito é o primeiro passo para um pequeno empreendimento crescer. Com capital, dá para comprar insumos, reformar uma loja e até investir em publicidade.

Porém, a participação numa cooperativa não se resume a bens materiais. O conhecimento é outro ativo bastante explorado por essas organizações.

Ao associar-se, você tem como participar de cursos, palestras e workshops dentro de sua área de atuação. São capacitações que apresentam novas ferramentas intelectuais ao público. E esses recursos intangíveis acabam sendo tão ou mais importantes que dinheiro, já que incentivam a novas formas de atuar e prosperar na vida. 

6. Crescimento da comunidade inteira

Você já deve ter notado que o cooperativismo se preocupa tanto com as partes quanto com o todo, né? A lógica é simples: quando um associado prospera, a comunidade inteira ganha.

Pense num pequeno empresário. Se o mercadinho dele vai bem, a tendência é contratar novos funcionários. Logo, haverá mais gente empregada e com renda para consumir no comércio local. A roda da economia vai se retroalimentando.

Lembre-se: pequenos investimentos são suficientes para fazer uma grande diferença na sua rua, no seu bairro e na sua cidade. De mãos dadas, uma pessoa puxa a outra e todas elas chegam mais longe.

7. Atendimento diferenciado

E ainda vale mencionar que a cooperativa de crédito está mais próxima do cliente. Natural, uma vez que o beneficiário é, ao mesmo tempo, um dos sócios do negócio.

Essa característica faz com que cada atendimento seja especial. Ao chegar à agência, o associado é tratado com dignidade e respeito à sua história.

Um cooperado não é apenas um número de cadastro, ou mais uma conta aberta para fazer a instituição lucrar. Em vez disso, ele é um colega de trabalho, alguém que “pega junto” e acredita num projeto coletivo de mudança. Você também acredita? A Cresol é um dos maiores sistemas de cooperativas de crédito do Brasil. Temos a missão de fornecer soluções financeiras com excelência e, para isso, confiamos no potencial de nossos associados.

Gostou? Esperamos que o conteúdo de hoje tenha sido útil. Siga de olho no blog da Cresol para mais informações sobre cooperativismo de crédito. Até a próxima!

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