Agricultura familiar no Brasil: guia completo 2026
A agricultura familiar no Brasil tem papel central na segurança alimentar do país e é um dos pilares da produção de alimentos no Brasil. Em 2026, com os desafios das mudanças climáticas e a crescente demanda por alimentos rastreáveis e sustentáveis, entender o papel do pequeno produtor é essencial para compreender o futuro do agronegócio no país.
Neste guia, exploramos desde a definição legal e os benefícios econômicos até as ferramentas de crédito, como o Pronaf, e as inovações tecnológicas que estão transformando o cotidiano das famílias no campo. Vamos juntos?

Índice
O que é agricultura familiar?
A agricultura familiar é um modelo de produção rural no qual a gestão e a mão de obra são predominantemente vinculadas a um núcleo familiar. Diferente do agronegócio industrial, a propriedade familiar integra a residência e o trabalho, focando na diversidade de culturas e na sustentabilidade no longo prazo. No Brasil, é a Lei nº 11.326/2006 que define a agricultura familiar, estabelecendo critérios específicos para o enquadramento do produtor.
Critérios para ser considerado agricultor familiar
Para ser classificado legalmente como agricultor familiar, o estabelecimento rural deve atender a quatro requisitos fundamentais:
- Área da propriedade: ter uma extensão de, no máximo, quatro módulos fiscais (o valor do módulo varia conforme o município).
- Mão de obra: utilizar predominantemente o trabalho da própria família nas atividades econômicas.
- Renda familiar: ter parte significativa da renda familiar vinculada ao próprio estabelecimento rural, conforme os critérios legais aplicáveis.
- Gestão: manter a administração do estabelecimento ou empreendimento vinculada à família.
A legislação e políticas públicas relacionadas à agricultura familiar também contemplam, conforme os enquadramentos previstos:
- Pescadores artesanais;
- Aquicultores;
- Silvicultores;
- Extrativistas;
- Indígenas;
- Quilombolas;
- Assentados da reforma agrária.
Qual a importância da agricultura familiar no Brasil?
A importância da agricultura familiar no Brasil é multidimensional, sustentando três pilares críticos: econômico, social e ambiental. Segundos dados do Censo Agro 2017, última base nacional consolidada de grande porte sobre o tema:
- Existem 3,9 milhões de estabelecimentos classificados como agricultura familiar, representando 77% do total.
- Eles empregam 10,1 milhões de pessoas ou 67% de todo o pessoal ocupado em agropecuária no Brasil.
- A produção familiar gera R$ 107 bilhões de reais, o equivalente a 23% de toda a produção nacional.
Além disso, um estudo da FGV baseado no mesmo censo mostra os setores em que a agricultura familiar se destaca:
- Fumo (93,7% do VBP nacional)
- Mandioca (80%)
- Leite (62,8%)
- Horticultura (62,2%)
Entre as frutas tropicais, a agricultura familiar lidera ainda a produção de:
- Açaí (79%)
- Morango (79%)
- Uva (75,8%)
- Abacaxi (68,7%)
Assim, são justamente as políticas públicas para liberação de recursos e capacitação que têm possibilitado que a agricultura familiar continue se desenvolvendo, transformando as vidas de quem atua nesse segmento.
1. Segurança alimentar: comida na mesa dos brasileiros
Se você consome arroz, feijão, mandioca, leite ou hortaliças, você consome o fruto da agricultura familiar. Ela tem participação decisiva na produção de muitos alimentos que compõem a cesta básica nacional, como feijão, mandioca, leite e hortaliças.
Vale destacar ainda a diversidade regional:
- No Sul, destaca-se a produção de uva e leite;
- No Sudeste, destacam-se cadeias como café, leite, hortaliças e frutas;
- No Nordeste, domina a fruticultura tropical e a subsistência resiliente.
2. Estabilidade econômica e combate ao êxodo rural
Ao gerar renda em pequenas comunidades, a agricultura familiar evita o inchaço das grandes cidades (êxodo rural) e movimenta o comércio local. Dessa maneira, o capital gerado circula na própria região, financiando serviços e pequenas indústrias locais.
3. Sustentabilidade e biodiversidade
Muitos agricultores familiares adotam sistemas de policultura e manejo regenerativo. Diferente das monoculturas extensivas, as pequenas propriedades preservam nascentes, mantêm a rotação de culturas e protegem polinizadores, sendo fundamentais para a resiliência ecológica do país frente ao aquecimento global.
Qual é a diferença entre agricultura familiar e comercial?
Embora ambos integrem o agronegócio brasileiro, a agricultura familiar costuma operar em menor escala, com gestão e mão de obra familiares, enquanto muitas empresas do agronegócio atuam em larga escala, com maior mecanização e foco em diferentes mercados.
| Característica | Agricultura familiar | Agricultura comercial (patronal) |
| Mão de obra | Predominantemente familiar. | Assalariada e mecanizada em larga escala. |
| Gestão | Direta pela família (proprietário-gestor). | Profissionalizada (gerentes e acionistas). |
| Foco principal de produção | Mercado interno e segurança alimentar. | Exportação (commodities como soja e algodão). |
| Variedade | Policulturas (diversidade de alimentos). | Monoculturas (escala e volume). |
| Regime de terras | Pequenas e médias propriedades. | Latifúndios e grandes extensões. |
Quais são os incentivos à agricultura familiar?
O fortalecimento da agricultura familiar depende de um conjunto de incentivos que envolvem políticas públicas federais, estaduais e municipais focadas em crédito, comercialização, assistência técnica e infraestrutura. A seguir, você conhece os principais mecanismos de apoio.
1. Linhas de crédito e financiamento: oportunidades do Pronaf 2025/2026
O Pronaf continua sendo a principal política de crédito para a agricultura familiar. Para o ciclo atual, o governo destinou R$ 78,2 bilhões apenas para esta linha.
Tipos de crédito disponíveis:
- Crédito de custeio: destinado a cobrir as despesas normais do ciclo produtivo, como a compra de sementes, fertilizantes, defensivos, o pagamento de mão de obra temporária e outras necessidades imediatas da lavoura ou da criação.
- Crédito de investimento: voltado para a aquisição de bens duráveis, como máquinas, equipamentos, implementos agrícolas, construção ou reforma de instalações, formação de pastagens e outras melhorias de longo prazo na propriedade.
- Crédito de comercialização: tem como finalidade viabilizar a venda dos produtos agrícolas, cobrindo custos como armazenagem e transporte, permitindo que o agricultor tenha mais tempo para negociar melhores preços e evite a venda imediata da sua produção em momentos de baixa do mercado.
- Crédito de industrialização: opção para agregar valor ao produto, por meio da compra de maquinários e equipamentos, formação de estoque de insumos, matéria-prima e produto final. Adiantamento de produtos entregues para venda. Aquisição de insumos para fornecimento aos cooperados.
2. Novas linhas voltadas para a sustentabilidade
A sustentabilidade e as práticas de ESG continuam ganhando força, inclusive através do Pronaf, que agora conta com uma série de linhas de “Crescimento verde”:
- Pronaf Bioeconomia: financia bioprodutos e resíduos agroindustriais.
- Pronaf RenovaAgro: crédito especial com taxa de 3% ao ano para projetos de transição agroecológica, sistemas agroflorestais e manejo regenerativo do solo.
- Pronaf agroecologia: apoia a transição e a produção de sistemas agroecológicos e orgânicos, incluindo a implantação e manutenção de práticas sustentáveis que preservam o meio ambiente e agregam valor aos produtos.
Condições diferenciadas:
- Juros reduzidos: algumas linhas do Pronaf oferecem taxas de juros reduzidas, especialmente para práticas sustentáveis, agroecologia e produção orgânica.
- Limites ampliados para mecanização: até R$ 100 mil em máquinas menores (juros de 2,5%) e até R$ 250 mil em equipamentos maiores (juros de 5%).
3. Linhas de crédito focada na agricultura familiar
o Plano Safra 2025/2026 trouxe importantes novidades para atender a demandas específicas da agricultura familiar:
- Pronaf Mais Alimentos: financia investimentos em máquinas, equipamentos, implementos agrícolas, construção ou reforma de instalações, projetos de irrigação e outras modernizações da produção;
- Pronaf Habitação Rural: linha de crédito específica para financiar a construção, reforma, ampliação ou melhoria de moradias nas propriedades rurais. Isso visa garantir mais conforto e qualidade de vida para as famílias que vivem e trabalham no campo.
- Pronaf Conectividade: destinado a financiar a aquisição e instalação de equipamentos para acesso à internet nas propriedades rurais. É um incentivo crucial para que o agricultor familiar possa se conectar, acessar informações, gerenciar o negócio e utilizar tecnologias digitais.
- Pronaf Acessibilidade Rural: apoia o financiamento de obras e adaptações que tornem a propriedade rural mais acessível para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, garantindo inclusão e bem-estar no ambiente rural.
- Pronaf Floresta: voltado para o financiamento de sistemas agroflorestais, recuperação de áreas degradadas e outras práticas de manejo florestal sustentável, reforçando o compromisso com a preservação ambiental.
- Pronaf Jovem: facilita o acesso ao crédito para jovens agricultores familiares, incentivando a permanência da juventude no campo;
- Pronaf Mulher: oferece condições especiais de crédito para agricultoras familiares, reconhecendo o importante papel da mulher no setor;
Os limites de financiamento, as taxas de juros praticadas e os requisitos para acesso a essas e outras linhas do Pronaf variam de acordo com a linha de crédito e a renda do agricultor. É essencial buscar informações detalhadas junto às instituições financeiras credenciadas, como a Cresol.
4. Política Nacional de Assistência Técnica Rural (Ater)
Ainda buscando incentivar a agricultura familiar, existe a Política Nacional de Assistência Técnica Rural (Ater), que leva conhecimento e apoio aos agricultores familiares através de técnicos capacitados.
Na prática, a Ater auxilia no acesso a informações sobre as linhas de crédito disponíveis, as tecnologias de produção mais adequadas, a gestão eficiente da propriedade e as melhores estratégias de comercialização.
Quem pode oferecer assistência técnica através do Ater:
- Órgãos públicos, em nível federal, estadual e municipal;
- Entidades privadas, como ONGs e empresas de consutoria;
- Cooperativas, como a Cresol.
5. Programas de apoio à comercialização
Programas como o PAA e o PNAE representam importantes mercados institucionais para a agricultura familiar.
O PAA compra alimentos da agricultura familiar para destinação a públicos em situação de insegurança alimentar, com condições definidas pelos programas oficiais.
Já o PNAE prevê a destinação mínima de parte dos recursos da alimentação escolar para a compra de produtos da agricultura familiar, incentivando a produção local e oferecendo um mercado seguro e constante.
6. Seguros agrícolas: mais proteção ao produtor
Outro importante instrumento de proteção para o agricultor familiar é o seguro agrícola, que oferece uma indenização em caso de perdas na produção devido a fenômenos naturais, como secas, chuvas excessivas, geadas e outras intempéries. Esse seguro ajuda a reduzir os riscos da atividade e garante uma certa estabilidade financeira para as famílias do campo.
7. Valorização do produtor familiar no mercado
Atualmente, muitas empresas buscam certificações para conceituar seus produtos com selos que assegurem a qualidade e a padronização das mercadorias. Para isso, essas empresas são incentivadas a conseguir certa quantidade de matéria-prima de agricultores familiares, o que beneficia os produtores desse segmento.
Um exemplo é o Selo Biocombustível Social, que incentiva a compra de matéria-prima da agricultura familiar conforme critérios definidos na regulamentação vigente.
8. Fortalecimento de mercados locais e feiras de produtores
Os mercados locais e as feiras de produtores têm se tornado espaços cada vez mais importantes para fortalecer a agricultura familiar. Isso porque, nesses locais, os agricultores têm a oportunidade de vender seus produtos diretamente aos consumidores, sem a intermediação de grandes redes, o que garante um preço mais justo pelo seu trabalho e permite que os consumidores tenham acesso a alimentos frescos, de qualidade e muitas vezes orgânicos.
Essa conexão direta entre agricultores e consumidores cria um relacionamento de confiança e valoriza o trabalho do pequeno produtor.
9. Tecnologias de apoio às vendas
A tecnologia também tem facilitado a aproximação entre produtor e consumidor. Plataformas online e aplicativos têm surgido para conectar diretamente os agricultores familiares aos consumidores, permitindo a venda de cestas de produtos frescos, a divulgação de feiras e mercados locais e a criação de grupos de consumo consciente.
Assim, além de aumentar a renda dos agricultores, essa iniciativas promovem uma alimentação mais saudável e sustentável para a população urbana.
10. Subvenções e incentivos
Em alguns momentos e para objetivos específicos, o governo pode oferecer subvenções governamentais, que são recursos não reembolsáveis, e incentivos fiscais para a agricultura familiar.
Dessa forma, programas voltados para a transição agroecológica, a produção orgânica e a adoção de práticas sustentáveis muitas vezes contam com esses tipos de apoio financeiro, buscando incentivar modelos de produção mais alinhados com a preservação ambiental.
11. Cooperativismo e associativismo
A organização em cooperativas e associações é uma estratégia poderosa para fortalecer a agricultura familiar. Afinal, ao se unirem, os agricultores podem facilitar o acesso a crédito em condições mais vantajosas, alcançar mercados maiores, compartilhar tecnologias e conhecimentos, reduzir custos na compra de insumos e fortalecer seu poder de negociação na venda da produção.
A Cresol tem um papel fundamental no apoio ao cooperativismo no setor agropecuário, incentivando a organização dos produtores e oferecendo soluções financeiras e de apoio que fortalecem as cooperativas e seus membros.
12. Dia da Agricultura Familiar: 25 de julho
No Brasil, 25 de julho é uma data associada ao Dia do Colono e à valorização da agricultura familiar. A data serve como momento de reivindicação por políticas públicas mais robustas e celebração da cultura camponesa brasileira.
13. Década da Agricultura Familiar das Nações Unidas
No âmbito internacional, a ONU proclamou a Década das Nações Unidas para a Agricultura Familiar (2019–2028). Essa é uma iniciativa que têm como principais objetivos a criação e implementação de normas e políticas públicas voltadas especificamente para a agricultura familiar.
A importância desse tipo de ação é clara quando vemos estudos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) que mostram que a agricultura familiar tem papel dominante na quantidade de propriedades rurais no mundo, sendo fundamental para os sistemas alimentares globais.
Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF)
Para acessar essas linhas de crédito e programas, os agricultores familiares geralmente precisam apresentar o CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar), que substituiu a DAP (Declaração de Aptidão ao Pronaf) como principal instrumento de identificação da agricultura familiar para acesso a políticas públicas.
O CAF é o documento de identidade do produtor rural para fins de políticas públicas. Assim, em muitos casos, o CAF é necessário para acessar financiamentos, seguros e programas públicos de apoio.
Para obter o seu registro, os passos são:
- Reunir a documentação
- Pessoal: CPF e RG de todos os membros da família maiores de 16 anos.
- Da terra: escritura pública, certidão de matrícula, contrato de arrendamento, parceria, comodato ou declaração de aptidão.
- Da renda: comprovante de que pelo menos 50% da renda familiar vem da exploração agropecuária ou não agropecuária do estabelecimento.
- Procurar um órgão emissor
- Encontre a entidade cadastradora mais próxima no site do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e dirija-se ao local para realizar a inscrição presencialmente.
- Encontre a entidade cadastradora mais próxima no site do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e dirija-se ao local para realizar a inscrição presencialmente.
- Realizar a inscrição
- A entidade ajudará no preenchimento da Autodeclaração e no envio dos dados ao sistema.
- A entidade ajudará no preenchimento da Autodeclaração e no envio dos dados ao sistema.
- Acompanhar
- Aguarde a validação e emissão do número do CAF.
Conhecendo a realidade da agricultura familiar
Quando falamos de agricultura familiar, é fundamental mencionar a pluralidade e diversidade de agentes rurais e formas de se relacionar com a terra, família, vizinhança, cultura e espaço.
Afinal, a agricultura familiar no Brasil representa uma cultura, um estilo de vida, que impacta direta e indiretamente em diversos outros setores.
Os desafios da agricultura familiar no Brasil
No contexto da agricultura familiar, a família é uma entidade estratégica, pois é a principal responsável pela formação daqueles que atuam na produção rural. Ou seja, muitos trabalhadores rurais desenvolvem seu conhecimento por meio da prática, ao mesmo tempo em que cresce o acesso à formação técnica e à assistência especializada.
Por isso, o acesso a capacitação, a crédito facilitado e a novas tecnologias são ferramentas poderosas para o avanço da produção familiar.
Daí a importância de linhas de financiamento, como as do Pronaf. Através delas, agricultores familiares podem investir em:
- Aquisição de equipamentos modernos;
- Gestão da produção;
- Sistemas de irrigação eficientes;
- Outras inovações que podem aumentar a produtividade, reduzir custos e otimizar o trabalho no campo.
Ao mesmo tempo, o acesso a programas de capacitação e assistência técnica, como a Ater, complementa o aprendizado tradicional, oferecendo conhecimentos técnicos e gerenciais que contribuem para profissionalizar a atividade e enfrentar os desafios do mercado com mais preparo.
A seguir, falamos em mais detalhes sobre alguns dos principais desafios da agricultura familiar no Brasil.
1. A participação da família na produção
Boa parte dos esforços responsáveis pela produção no meio rural se encontra dentro da unidade doméstica. Ou seja, jovens, mulheres, crianças e idosos da família também participam dos meios de produção. Por isso, um dos movimentos que devemos destacar é a luta das mulheres rurais por mais direitos e autonomia.
2. As migrações internas e o êxodo rural
Outro problema comum é a saída dos mais jovens do campo e as chamadas migrações internas, que acontecem quando determinados grupos populacionais se deslocam dentro de uma mesma localidade geográfica. A principal causa desse fenômeno é a falta de oportunidades na terra natal, que faz com que essas pessoas se mudem para outras regiões em busca de trabalho.
As migrações internas mais comuns no meio rural são:
- O êxodo rural, que leva à mudança para cidades grandes, geralmente em busca de emprego.
- A migração sazonal ou transumância, que está relacionada às estações do ano. Ela acontece quando pessoas se mudam para locais com melhores recursos, em determinados períodos do ano, e depois retornam para sua terra natal.
O grande desafio desses movimentos é a dificuldade de se avaliar a dinâmica da agricultura familiar dessas populações e formular políticas públicas para o setor.
Leia mais: Cerca de 20 jovens do meio rural recebem certificados do projeto de Sucessão Familiar da Cresol Raiz
3. Questões ecológicas e a sustentabilidade
Quando o agricultor colhe os frutos de sua plantação, ele também tira parte dos recursos que a planta tinha a sua disposição para crescer. A reposição desses insumos é fundamental para que o ciclo de produção continue e, caso ela não aconteça, ocorre a exaustão de nutrientes, o que pode reduzir a fertilidade do solo e prejudicar a agricultura familiar ao longo do tempo.
4. Infraestrutura e escoamento da produção
A falta de estradas, transporte e energia elétrica em algumas áreas rurais dificulta o escoamento da produção. Por isso, é comum acontecer de os produtos estragarem antes de chegar ao mercado, gerando prejuízos para os agricultores.
5. Baixa valorização da produção
Muitas vezes, os agricultores familiares recebem preços baixos pelos seus produtos, o que não cobre os custos de produção. Isso acontece porque eles não têm força para negociar melhores condições de venda ou porque a oferta de produtos é muito alta em determinados períodos.
6. Mudanças climáticas e resiliência
A agricultura familiar é muito vulnerável às mudanças climáticas, como secas ou chuvas intensas, que podem destruir plantações e comprometer a colheita. A falta de tecnologias para lidar com essas mudanças torna ainda mais difícil enfrentar esse desafio.
Como a tecnologia tem transformado a família rural
Longe da ideia de um campo rudimentar, a agricultura familiar hoje é tecnológica. Ou seja, tanto o grande produtor quanto o agricultor familiar podem se beneficiar de tecnologias que aperfeiçoam o cotidiano no campo e permitem expandir o negócio.
Listamos a seguir algumas das áreas mais impactadas pelas novas tecnologias.
1. Profissionalização da gestão
Um dos pontos-chave para a expansão do negócio do pequeno agricultor é a otimização da gestão da propriedade. Isso porque, hoje, já existem instrumentos de gestão do campo que permitem o monitoramento e acompanhamento de:
- Contabilidade da propriedade;
- Gestão de insumos, logística, negociações, fiscal etc.;
- Análise de resultados técnicos e econômicos;
- Levantamento dos custos de produção;
- Comparação com outras propriedades.
2. Modernização de equipamentos
A mecanização e automatização de diferentes etapas da produção vem para otimizar o dia a dia no campo. Nesse sentido, um dos principais recursos para adquirir equipamentos e modernizar a produção é o Pronaf Mais Alimentos. Essa linha de crédito do Pronaf auxilia nos investimentos, na estrutura produtiva e de armazenagem da propriedade rural, incluindo a aquisição de:
- Máquinas agrícolas;
- Equipamentos e implementos;
- Outros itens como matrizes, formação e recuperação de pastagens.
A Cresol, como instituição financeira cooperativa parceira do agro, oferece diversas opções de financiamento para atender às necessidades específicas dos agricultores familiares que buscam modernizar suas propriedades.
3. Otimização da preparação de solos
Outro avanço promovido pela tecnologia na agricultura familiar são as técnicas modernas e equipamentos para a preparação do solo. Afinal, quando o solo está pronto, oferece melhores condições para a agricultura se desenvolver de modo saudável.
E é daí que vem, para o pequeno agricultor, a grande vantagem de se inovar: garantir a eficiência no preparo do solo e mais agilidade na produção.
Além disso, a agricultura familiar pode utilizar insumos que passam por processos de fabricação e avanços mais sustentáveis e tecnológicos — atributos altamente competitivos no agronegócio atual.
4. Recursos para análises meteorológicas
Esse é, sem dúvida, um dos pontos mais relevantes para o agronegócio atual, uma vez que as chuvas torrenciais e estiagens prolongadas podem encharcar plantações e devastar o solo, inutilizando-o para diversas culturas.
Por meio da implementação de soluções tecnológicas, é possível se aproximar mais das previsões de alterações climáticas, buscando minimizar seu impacto na produção.
5. Controle de insetos e outras pragas
Assim como os grandes latifúndios, o pequeno produtor também sofre com o surgimento de pragas nas plantações. Isso pode atrapalhar de forma significativa a produtividade e a qualidade da safra, provocando enormes perdas financeiras.
Dessa maneira, a tecnologia tem transformado o controle de pragas na agricultura familiar, permitindo que pequenos produtores adotem o Manejo Integrado de Pragas (MIP) de forma mais acessível, precisa e sustentável.
O futuro da agricultura familiar: tendências e oportunidades
O horizonte da agricultura familiar é promissor, carregado de tendências e oportunidades que podem impulsionar ainda mais seu crescimento e relevância para o Brasil e para o mundo. Entre as principais estão:
- Tecnologias emergentes, como a Inteligência Artificial: essas tecnologias estão ampliando as possibilidades de otimização da produção e da gestão no campo familiar. Assim, a IA pode auxiliar no monitoramento de lavouras, previsão de pragas e doenças, uso mais eficiente de insumos e tomada de decisões mais estratégicas.
- Marketplaces de produtos locais: facilitam a conexão direta entre agricultores e consumidores, fortalecendo a produção familiar e reduzindo intermediários.
- A agricultura regenerativa e as certificações sustentáveis: a produção familiar se beneficia da crescente demanda por alimentos produzidos de forma consciente e ambientalmente responsável. Isso porque o modelo adota práticas frequentemente alinhadas à sustentabilidade.
- Formação técnica: uma nova geração de agricultores chega ao campo com formação técnica, acesso à internet e uma visão mais inovadora da atividade. Jovens produtores estão incorporando novas tecnologias, buscando capacitação e criando formas de agregar valor à produção familiar.
- Consumo consciente e a valorização da produção familiar: hoje, a própria sociedade entende a importância do setor. Por isso, muitos procuram consumir produtos da agricultura familiar, apoiando a economia local, a preservação ambiental e a manutenção do modo de vida de milhares de famílias no campo.
Como a Cresol atua como grande parceira do agro
A Cresol oferece soluções financeiras completas para o pequeno produtor fomentar sua propriedade e melhorar sua qualidade de vida.
- Crédito rural: nossas soluções incluem diversas linhas de financiamento com taxas diferenciadas e prazos adequados ao ciclo da produção, desde o custeio da safra até o investimento em máquinas, equipamentos e benfeitorias na sua propriedade.
- Linhas do Pronaf: trabalhamos com as linhas do Pronaf, como o Mais Alimentos e o Agroecologia, além de outras linhas de crédito com recursos próprios, buscando sempre as melhores condições para o seu negócio.
- Assistência técnica: a Cresol oferece parcerias e programas que levam conhecimento e inovação para o campo, auxiliando na gestão da propriedade, na adoção de práticas sustentáveis e no acesso a novas tecnologias.
Como instituição financeira cooperativa, o cooperativismo está em nosso DNA. Portanto, acreditamos na força da união e incentivamos a organização dos agricultores em cooperativas e associações, facilitando o acesso a mercados, a melhores condições de compra e venda e ao fortalecimento do setor como um todo.
Mas, melhor que listarmos as vantagens, é deixar nossos cooperados falarem por si:
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Perguntas frequentes (FAQ) sobre agricultura familiar no Brasil
A seguir listamos algumas questões chave para você entender melhor a relevância da agricultura familiar no Brasil. Acompanhe a lista e tire suas dúvidas!
É o modelo de produção no qual a família é proprietária e gestora, a mão de obra é predominantemente familiar e o estabelecimento tem no máximo 4 módulos fiscais.
Porque ela gera 67% dos empregos no campo, movimenta a economia de pequenas cidades e é responsável pela produção da maioria dos alimentos frescos consumidos no Brasil.
O agronegócio (comercial) foca em commodities para exportação e alta escala assalariada. Por outro lado, a agricultura familiar foca no mercado interno, segurança alimentar e diversidade de culturas, com gestão familiar.
O primeiro passo é ter o CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar) ativo. Então, com o registro em mãos, o produtor deve procurar uma instituição financeira cooperativa, como a Cresol, para elaborar o projeto técnico e solicitar o financiamento.
Sim. O site da Embrapa lista uma série de programas do governo para incentivar projetos agrícolas de pequena escala. Um exemplo é o Plano Safra da Agricultura Familiar, um conjunto de políticas de transferência de conhecimentos e tecnologia, que visa a fortalecer a produção sustentável nesses empreendimentos.
Em geral, sim. Enquanto o agronegócio utiliza basicamente a monocultura, que esgota os nutrientes do solo, os agricultores familiares praticam a rotação. Eles cultivam diferentes produtos ao longo do ano, respeitando os ciclos da terra e as épocas certas de plantio e colheita.
Após a independência, senhores de terras, trabalhadores, posseiros e outros agregados iniciaram uma disputa de terras. Os núcleos familiares menos abastados buscavam um pedaço de chão para cultivos de subsistência. Mais tarde, veio a urbanização e, com isso, as pequenas propriedades agrícolas passaram a abastecer as cidades com alimentos, já que os grandes latifúndios priorizavam a produção de café e outras monoculturas para exportação.
O futuro do Brasil é familiar
A agricultura familiar é a garantia de que o Brasil continuará sendo uma potência alimentar resiliente e sustentável. Ao investir no pequeno produtor, estamos investindo em saúde, preservação ambiental e justiça social.
Se você é produtor e busca crescer com segurança, conte com a Cresol. Juntos, fortalecemos o campo e garantimos que o alimento continue chegando com qualidade a todos os brasileiros.
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