Agricultura Familiar

Noz-pecã: cultura nos estados do Sul é destaque no mercado brasileiro

Noz-pecã: cultura nos estados do Sul é destaque no mercado brasileiro
Tempo de Leitura: 3 minutos

A noz-pecã, conhecida também como a cápsula da saúde por suas qualidades nutricionais, tem ganhado força nos três estados do Sul do Brasil. O clima subtropical das regiões com verões quentes, invernos rigorosos e chuvas bem distribuídas ao longo do ano contribuem para o desenvolvimento do fruto. Muito além da rentabilidade e do baixo custo de produção, o cultivo da nogueira-pecã possui uma série de vantagens para o agricultor familiar, dentre elas está: a facilidade de manejo do pomar, a disponibilidade de mudas, a longevidade de produção, a facilidade de armazenamento e a possibilidade de inserção em sistema de consórcio com pastagens, culturas anuais, frutíferas e essências florestais.

O Rio Grande do Sul é o maior produtor e beneficiário de noz-pecã do Brasil, de acordo com dados da Emater (2019), o estado tem cerca de 1.300 produtores que cultivam 5,5 mil hectares, em diferentes regiões. Em 2017, foi lançado o Programa Estadual de Desenvolvimento da Pecanicultura – Pró-Pecã, cujo o principal objetivo é promover o desenvolvimento de uma pecanicultura moderna, competitiva e sustentável, que gera emprego, renda no meio rural e incentiva as agroindústrias de beneficiamento e fornecedores de equipamentos dessa cadeia produtiva.

A noz-pecã é uma opção barata e rentável para a diversificação de renda na propriedade rural.
Foto: Reprodução/Pixabay

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná é o segundo maior produtor do fruto no país. O estado tem cerca de 615 hectares de área plantada, que são responsáveis por 35% da produção nacional. Em Santa Catarina, a produção tem ganhado força nos últimos anos. Dados da Epagri (2019) indicam que o estado tem cerca de 80 produtores com 175 hectares cultivados no Oeste e no Extremo Oeste e mais 133 hectares em 50 propriedades no Alto Vale do Itajaí.

A produção dos frutos nos três estados do Sul e em algumas localidades da região Centro-Oeste impulsionaram o mercado brasileiro e garantiram ao país o 4º lugar no ranking mundial de produtores de noz-pecã. Em 2019, a produção nacional chegou a 3.500 toneladas. Segundo o relatório do Congresso do Conselho Internacional de Nozes (2019), o Brasil produz uma quantidade de produto pequena em relação aos grandes produtores mundiais, no entanto, o país demonstra aptidão para a produção do fruto.

Cinco décadas de produção, investimento e tradição

Rentável e compatível com outras atividades agrícolas, a produção de noz-pecã ganhou espaço na propriedade do seu Airton Nardino, associado da Cresol Xavantina. O cultivo, que começou com os pais de Airton a mais de 50 anos, possui entre 150 e 200 árvores. Ao longo dos anos, a família mantém essa mesma quantidade de árvores retirando os pés mais antigos e repondo com mudas novas. Além da noz-pecã, o agricultor produz pêssego, queijos, produtos orgânicos para consumo e cria gado de corte.

Seu Airton não utiliza agrotóxicos na produção da noz-pecã, apenas adubação química e orgânica. Em relação ao cultivo, ele lembra que as primeiras orientações vieram do pai e com a prática, foi aperfeiçoando a técnica. “Muitos ensinamentos foram repassados por meu pai, aprendi muita coisa também com a prática do dia a dia, fazendo testes e aperfeiçoando as técnicas. Também temos acompanhamento da produção pela Epagri”, relata. 

Na propriedade do seu Airton, a produção da noz-pecã é feita em família e com muita alegria.  
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

O produtor comercializa o fruto para mercados, padarias e confeitarias locais. Além de vender a noz-pecã em sua propriedade. “Faço vendas direto ao consumidor em minha propriedade, onde os consumidores vêm buscar o produto e também vendo os produtos através de uma rota de turismo rural do município de Arvoredo”, ressalta.

Para aqueles que desejam investir na noz-pecã, Airton deixa alguns conselhos. “Como é uma cultura que demora bastante tempo para produzir frutos, é preciso ter paciência, vocação, mão de obra para as colheitas e assistência técnica para ajudar na melhoria dos plantios”, finaliza.

Categorias: Agricultura Familiar , Cooperativismo