Educação Financeira

Planejamento financeiro para 2019: tudo o que você precisa saber

Em todo final de ano, é comum começarmos a pensar em coisas que gostaríamos de realizar nos próximos 12 meses. Nesse período, também é comum fazermos um balanço do último ano.

Muitas vezes dá aquele orgulho porque conseguimos alcançar o que gostaríamos, mas nem sempre é assim. Para alcançar objetivos, sejam profissionais, sejam pessoais, é preciso ter planejamento.

Um planejamento financeiro anual é o ideal por que você já começa o ano consciente de quais meses vai ter mais despesas, aqueles que têm menos e qual momento é o mais adequado para investir em bens mais caros.

Neste artigo você vai descobrir as vantagens de fazer um planejamento financeiro anual e o passo a passo para fazer o seu próprio planejamento anual. Acompanhe!

O que é um planejamento financeiro?

Um planejamento financeiro nada mais é do que uma estratégia que utiliza ferramentas de controle, que facilita a tomada de decisões e a realização de objetivos. Na prática, é um guia prévio de quais serão suas receitas e despesas em determinado período. Assim, gera informações para que as pessoas possam tomar as melhores decisões.

Esse tipo de planejamento pode ser mais ou menos flexível e precisa ser adaptado ao estilo de cada pessoa — não só o planejamento em si, mas as próprias ferramentas utilizadas. O que funciona para uma pessoa não necessariamente funcionará para outra.

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Planejamentos financeiros também podem ser de diversos tipos: próprio da gestão do seu negócio, pessoal, familiar, mensal, anual etc. Todo o processo de planejamento também é uma visualização de como você quer estar no futuro — e isso vale tanto para pessoas quanto para empresas.

O planejamento financeiro é só parte de um comportamento saudável com o dinheiro. Se você tem hábitos ruins, como gastar além do que pode, não adianta muita coisa planejar. O planejamento no papel só funciona se você segui-lo.

Mudar esses hábitos fica mais fácil com uma boa educação financeira. No Brasil, o número de inadimplentes supera 63 milhões de pessoas. Para não entrar (ou escapar) dessas estatísticas, algumas dicas são básicas:

  • conheça todos os seus gastos fixos;
  • estipule um limite para aqueles que são variáveis — que incluem o lazer;
  • guarde uma parte.

Essa reserva pode ser formada por investimentos com vários objetivos, como um valor para emergências e outro para a realização de um objetivo, como a compra de um carro ou uma viagem de férias.

Por que fazer um planejamento financeiro anual?

A vantagem de fazer um planejamento financeiro anual é que você consegue ter uma visão geral do seu ano e evita surpresas quando os meses virarem. Enquanto você faz o planejamento, é possível distribuir as contas pelos meses e registrar aquelas com datas definidas. Assim, você consegue avaliar em qual mês o dinheiro vai estar mais curto.

Janeiro, por exemplo, é um mês com contas mais altas, como IPTU e IPVA. Já em abril, é a hora de fazer o pagamento do Imposto de Renda.

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Quais são os benefícios de fazer um planejamento financeiro anual?

A melhor vantagem de fazer um planejamento financeiro anual, e não apenas mensal, é a viabilização dos seus objetivos. Como vimos acima, a visão geral do ano permite que você saiba como vão ser seus meses financeiramente. Assim, é possível escolher com mais sabedoria o momento certo para fazer uma conta, como um financiamento.

Com o planejamento seguido à risca, também é possível saber ao certo quando será possível fazer uma compra. Assim você escapa de cair sempre naquele papo de: “Esse mês não dá. Talvez no próximo”. Tudo isso ajuda a evitar endividamentos e tomar decisões sob pressão.

Como elaborar um planejamento financeiro familiar para 2019?

Se na vida pessoal a organização financeira já é importante, quando falamos de família o planejamento é ainda mais importante. Afinal, crianças dependem completamente dos adultos. Qualquer imprudência financeira pode desestabilizar a estrutura familiar — o que é fundamental para o bom desenvolvimento de crianças.

Veja a seguir como elaborar um planejamento familiar anual.

1. Defina os objetivos para o ano

Uma das principais dicas de educação financeira para poupar é juntar dinheiro com algum propósito, uma razão. Por isso, defina objetivos.

Definir um objetivo é uma tarefa que deve ser a mais precisa possível. Se você deseja fazer uma reforma na casa, deve estipular o quanto quer juntar e em quanto tempo. É diferente registrar “Juntar dinheiro para reformar a casa” e “Juntar R$ 25 mil até dezembro de 2019 para começar a reforma da casa”. Por isso, um objetivo financeiro tem um valor e um prazo.

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Se você deseja fazer uma viagem, por exemplo, defina um valor que deseja juntar até determinado momento do ano e acrescente aquele compromisso ao seu planejamento financeiro anual.

Esse passo também é importante para que, na hora de restringir seus gastos, você consiga se manter disciplinado — basta lembrar que existe um objetivo maior por trás.

2. Faça um levantamento das despesas

Depois de definir bem os objetivos que deseja, faça um levantamento de todas as despesas fixas atuais e uma previsão do tamanho delas ao longo dos próximos meses, considerando a característica de cada mês.

A conta de luz costuma ficar mais alta no verão, por exemplo, e cair consideravelmente no inverno. Observe os valores do último ano e registre um valor aproximado.

Saber para onde vai seu dinheiro é essencial para ter estabilidade financeira. Além dos gastos fixos, que não devem ultrapassar um terço da renda da família, existem os gastos variáveis, que também não devem ultrapassar um terço.

Nessa categoria estão incluídos os gastos no dia a dia e o lazer. Se os gastos fixos ou variáveis estiverem ultrapassando dois terços da renda, reveja a composição deles.

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Se você ultrapassar esses dois terços, o valor destinado às reservas de emergências e à realização de objetivos vai ser afetado. Por isso, é importante ser rigoroso com o cumprimento desses limites.

O levantamento das despesas atuais, fora do planejamento futuro, também serve para você ter uma real noção dos seus padrões de consumo e gastos de vida. Sabe aquela sensação de não saber para onde o seu dinheiro está indo? Conforme você registra seus gastos fixos e principalmente os variáveis, consegue observar os “ralos”.

No caso das famílias, essa consciência é fundamental para checar quais integrantes têm mais gastos.

3. Eduque-se financeiramente

A educação financeira é necessária principalmente para causar uma mudança de mentalidade e oferecer algumas ferramentas. Na internet, é fácil encontrar conteúdos com boas dicas, como vídeos e artigos. Antes de começar a aplicar alguns dos princípios da educação financeira, é importante focar no desenvolvimento de duas características: organização e disciplina.

A organização é fundamental para colocar em prática todas essas dicas, como o registro dos gastos e o acompanhamento de contas pagas. Já a disciplina serve para seguirmos o que está planejado, sabendo dizer não para a vontade de comprar algo desnecessário.

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Uma dica para evitar gastar por impulso é deixar passar alguns dias depois de surgir a vontade de comprar. Se você ainda quiser aquilo, compre. Outra forma de manter a disciplina é pensar nos benefícios de longo prazo que vêm quando conseguimos juntar um dinheiro.

A educação financeira também é fundamental para aprendermos a investir bem, com aquele um terço restante da renda. Existem diversas modalidades de investimentos, e elas devem servir a propósitos diferentes. Mais à frente vamos explicar o que é o mínimo que deve ser feito para começar a investir.

4. Aprenda a definir prioridades

Quando listamos nossos objetivos, nem sempre temos uma noção clara de quais são os mais importantes. Reformar a casa pode ser um objetivo, assim como trocar o carro, mas qual realmente é a sua prioridade? Depois de listar os objetivos do ano, separe quais são os urgentes. Nem sempre é fácil ter isso claro na cabeça, mas alguns exercícios podem ajudar.

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Escolha um deles e imagine a sua família com esse bem. A qualidade de vida de vocês vai melhorar consideravelmente? Se for um investimento em educação, como um curso extra ou uma pós-graduação, como isso vai melhorar a vida profissional da pessoa? Depois desse exercício, compare quais cenários geram mais benefícios.

5. Faça investimentos

Deixar de fazer investimentos é um erro que pode não parecer tão grave. Às vezes focamos mais em cortar despesas, controlar os gastos e reservar uma parte para a caderneta de poupança. O problema de não criar uma carteira de investimentos é que seu dinheiro deixa de render tudo o que poderia.

Você já sabe que um terço da renda familiar deve ir para a categoria “Reserva/investimentos/objetivos”, certo? Você sabe como distribuir esse dinheiro? Tudo depende do seu perfil, do conhecimento que tem sobre investimentos e do tempo que você pretende deixar o dinheiro investido.

Em termos simples, podemos dividir os investimentos basicamente entre renda fixa e renda variável. No caso da renda fixa, há uma taxa fixada de quanto de retorno o investimento vai gerar. Na renda variável até existe uma projeção, mas os valores podem ser bem diferentes.

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Para começar a investir, vale a pena conhecer as opções da renda fixa, como Tesouro Direto e CDB. Parece grego? Calma! Um investimento é, na verdade, um empréstimo que você faz a uma instituição e recebe juros por isso, mas um pouco diferente daquele crédito pessoal que ajuda em emergências. Em geral, os juros de retorno são maiores conforme o tempo que você deixa o valor aplicado.

No caso do Tesouro Direto, você compra títulos do governo federal e depois vende de volta. CDBs são os Certificados de Depósito Bancário, títulos oferecidos por bancos. Na prática, você empresta dinheiro aos bancos.

Você pode aprender mais sobre os tipos de investimentos conforme estuda investimentos dentro da educação financeira, mas o que você deve saber é o seguinte: existem investimentos adequados para reservas de emergência, aqueles ideais para compra de um bem no médio prazo e outros adequados para a aposentadoria.

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A diferença entre eles é o tempo do vencimento do título ou a liquidez. Investimentos de alta liquidez podem ser resgatados para a sua conta corrente em pouco tempo. Já os de baixa liquidez demoram ou não podem ser resgatados até o vencimento.

Para uma reserva de emergência, vale a pena procurar investimentos com liquidez diária. Para uma viagem daqui a um ano, existem boas opções com vencimento de 12 meses. Já para a aposentadoria, existem opções com vencimento para depois de 5 anos.

Essas opções de investimento formam o que se costuma chamar de carteira de investimentos, e cada um tem uma característica própria e serve a um propósito financeiro.

Para calcular o quanto você precisa juntar para ter uma boa reserva de emergência, saiba quais são os gastos da sua família durante 6 meses. Esse é um tempo médio de recolocação no mercado de trabalho em caso de desemprego, por exemplo, e suficiente para se reorganizar.

Se os custos da sua família por mês são de 4 mil reais, uma boa reserva de emergência deve ser de R$ 24 mil. Alcançar esse valor até o fim do ano é um exemplo de objetivo que pode constar na sua lista.

6. Reduza custos que sejam desnecessários

Depois de conhecer seus gastos fixos e variáveis, chega a hora de analisar quais realmente devem ser mantidos. Como vimos acima, esses gastos não devem extrapolar dois terços da sua renda. Se eles estiverem nesse limite, corte alguns.

Você não precisa necessariamente abrir mão de algum serviço que usa, mas tente negociar preços com empresas de telecomunicações e assinaturas, por exemplo. Avalie se você precisa utilizar telefone fixo, se todos os serviços da sua cesta bancária são essenciais, se não pode combinar caronas com colegas do trabalho etc.

O gasto com comida fora de casa também pode representar um alto custo. Isso, no entanto, não significa que você deve deixar de sair para se divertir com a sua família. Procure frequentar parques, fazer atividades ao ar livre e ir a confraternizações nas casas de amigos. Todos esses programas saem mais barato do que sair para comer no shopping, por exemplo.

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Dependendo da idade das crianças, eles também podem ajudar nos serviços da casa — o que pode dispensar a necessidade de empregadas domésticas. Assim, uma diarista ocasional pode ser uma opção mais barata.

Ficar um tempo sem comprar roupas e calçados também pode ajudar a poupar um bom valor, se esse for um dos gastos comuns da casa. Muitas vezes um tingimento ou um reparo em uma peça pode deixá-la com cara de nova.

7. Faça a planilha financeira para o ano

Existem muitos tipos de ferramentas de controle financeiro — desde o papel e a caneta até aplicativos que vinculam seus cartões e sua conta corrente. Planilhas financeiras também são boas opções, desde as mais simples até as mais complexas.

Para um planejamento financeiro anual, não são necessários tantos recursos. O importante é conseguir ter uma visão geral dos meses e ter as receitas e despesas bem detalhadas.

Para fazer a própria planilha, você pode usar um programa como o Excel ou ferramentas online, como o Google Docs. Faça uma tabela em que as linhas contenham as categorias dos gastos e as colunas tenham as informações que você achar conveniente, como um espaço para previsão dos gastos e outro para quanto realmente foi o valor — além de fazer a divisão dos meses.

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Um erro comum na categorização das despesas é criar um campo para os gastos com cartão de crédito. As compras feitas no cartão devem ser alocadas na planilha dentro das respectivas modalidades, como roupas, alimentação e entretenimento.

Falando em cartão de crédito, ele pode ser uma armadilha ou uma boa forma fazer compras — tudo depende de como você usa. O cartão de crédito vale à pena nas situações em que você não consegue um desconto à vista e as parcelas são realmente sem juros.

Para contornar o consumidor, as lojas dizem que as parcelas são sem juros, mas aumentam o valor total se a opção de pagamento for o cartão de crédito. Por isso, fique atento. Se você tiver o dinheiro para pagar à vista mas não conseguir desconto, compre parcelado no cartão e invista esse valor.

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Outra dica para lidar bem com compras no cartão de crédito é comprar apenas bem duráveis. Também procure opções em que não seja preciso pagar taxas de anuidade.

No seu planejamento financeiro anual, também é importante registrar as despesas flexíveis. Ao contrário das fixas — que são previstas —, as flexíveis mudam de mês para mês. Então, o registro delas é feito depois de o gasto ter sido feito.

Alguns tipos de despesas flexíveis podem ser encarados como fixos. Essa é uma dica para você reservar sempre o dinheiro para esse gasto. Fique atento apenas ao limite dos gastos fixos.

Nas planilhas você também consegue calcular facilmente o percentual de cada modalidade de gastos da família dentro da renda e verificar se, na prática, as prioridades estão realmente sendo seguidas. Além disso, também é preciso olhar a evolução ao longo dos meses.

Se você deseja uma mudança de hábito de compra, por exemplo, basta acompanhar o quanto aquilo tem representado nos seus gastos durante os meses. Para tirar as conclusões corretas, é necessário ter todos os gastos registrados.

Como colocar seus objetivos pessoais dentro do planejamento financeiro?

Além de definir a prioridade de cada objetivo, como vimos acima, você deve separá-los por categorias: aqueles que pretende realizar em curto, médio e longo prazo. Para inserir a realização deles do planejamento financeiro, é necessário ter esclarecido para si mesmo como você deseja fazer o pagamento.

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Tomemos como exemplo a troca dos móveis do quarto das crianças. Você pretende juntar dinheiro e fazer o pagamento à vista ou vai parcelar? Como é importante valorizar o hábito de poupar, vale a pena pensar na realização do objetivo como uma consequência de bons hábitos.

Além de definir a forma de pagamento, verifique quanto daquele um terço que resta do orçamento você pode comprometer para fazer sua compra à vista. Se esse um terço da renda familiar for de 3 mil reais, por exemplo, faça uma subdivisão.

Uma parte deve ir para a reserva de emergências, outra para os objetivos e outra para os investimentos. Se sobram 1.500 para objetivos mas você já está guardando 1.000 para um carro novo, os outros 500 podem ser destinados para os móveis novos.

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Com esse valor mensal em mente você consegue calcular em qual mês poderá pagar pelos móveis novos. O dinheiro não precisa ter necessariamente alcançado o valor total, mas se chegar perto já ajuda bastante na realização do objetivo.

Se você estiver com o orçamento mais folgado, pode fazer o caminho contrário. Em vez de checar o quanto da renda familiar você pode comprometer, escolha um mês em que você deseja realizar o objetivo e divida o valor pelos meses que faltam até lá. Essa forma é um pouco mais arriscada, mas pode garantir seus objetivos um pouco mais rapidamente.

Até aqui, abordamos os benefícios do planejamento anual, por que fazê-lo e passamos pelos pontos fundamentais na hora de montá-lo. Tudo começa ao conhecer a atual situação financeira, com um bom diagnóstico dos gastos da família.

Para fazer isso, calcule os seus gastos em detalhes. Além disso, aprenda a definir prioridades e faça investimentos. Você deve saber que o seu dinheiro pode render muito mais se você tirá-lo da caderneta de poupança. Estude e monte uma carteira com opções diferentes de liquidez.

Para conseguir ainda mais conforto financeiro e para alcançar os seus objetivos sem fazer sacrifícios no dia a dia, corte gastos com coisas desnecessárias. Para isso, vale a pena avaliar todas as suas contas, tentar negociar pacotes mais baratos de serviços e se perguntar se tudo o que você tem é realmente necessário.

Também não se esqueça da regra dos terços. O ideal é que um terço da sua renda vá para os gastos fixos, outro um terço seja destinado aos gastos variáveis e o outro um terço seja guardado ou investido. Com essa dica, dificilmente você entra em dívidas — desde que mantenha a disciplina!

Para alcançar qualquer meta pessoal, é necessário ter o mínimo de planejamento e educação financeira. Um planejamento financeiro é fundamental por que permite acompanhar e prever sua situação ao longo dos meses, fazendo com que você tome decisões melhores e consiga realizar seus objetivos.

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