Dia do Homem: uma data para romper tabus e preconceitos

Dia do Homem: uma data para romper tabus e preconceitos

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Quantas vezes você ouviu que homem que é homem não pode chorar, tem que ser forte, corajoso e bem-sucedido? Essas frases, que muitos meninos crescem ouvindo, tem criado uma geração de homens que sofrem calados, sozinhos e são envolvidos pela masculinidade tóxica.

A pesquisa ‘O Silêncio dos Homens’, realizada pelo Instituto PdH, entre maio e junho de 2019, verificou o que os adultos aprenderam com seus pais quando garotos e levaram para a vida: ser bem-sucedido profissionalmente (85%), ser responsável pelo sustento financeiro da família (67%) e não expressar as emoções (60%) foram algumas das principais respostas.

O resultado dessa cultura que coloca o homem como provedor e a mulher como cuidadora, é o principal combustível para a falta de cuidado dos homens com a própria saúde, a relutância em ir ao médico, a dificuldade para falar sobre si mesmo e seus medos. Com o intuito de gerar debate, conscientizar a população e mudar essa realidade, a Ordem Nacional dos Escritores (ONE) estabeleceu em 15 de julho de 1992, o Dia do Homem. 

A data visa debater a saúde masculina, os princípios da equidade de gênero, dar enfoque à importância da paternidade e dos modelos paternos. Mundialmente, a data é celebrada em 19 de novembro e foi proposta à Organização das Nações Unidas (ONU), em 1999, pelo Dr. Jerome Teelucksingh, professor de História na Universidade das Índias Ocidentais.

Desinformação e resistência afetam cuidado com a saúde do homem

O câncer de próstata mata, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca, 2019), cerca de 500 homens por ano. O diagnóstico da doença se dá por meio exame de toque retal, um exame simples, rápido e indolor, mas extremamente estigmatizado pela sociedade. Em pesquisa realizada pelo Datafolha (2017), 21% da população masculina insiste em dizer que o exame de toque retal, não é ‘coisa de homem’. 

O preconceito afeta também, a saúde mental masculina. Com medo de se sentirem vulneráveis, os homens resistem aos consultórios de psicólogos, psiquiatras e psicanalistas. Apesar da resistência, eles também precisam de ajuda, de acordo com o Ministério da Saúde (2019), os homens se suicidam quatro vezes mais que as mulheres.

Dados do Programa Nacional de Saúde do Governo Federal (2019), apontam que mais de 160 milhões de brasileiros realizaram consultas médicas em 2019, destes, apenas 69,4% se identificaram como homens. A falta de cuidado com a saúde reflete diretamente na expectativa de vida masculina, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2016) indica que os homens vivem sete anos a menos que as mulheres.

Já passou da hora de deixar esse preconceito para lá e cuidar da saúde. Até porque, cuidar de si é um ato de amor, força e coragem!

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