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20 de novembro: Dia da Consciência Negra

20 de novembro: Dia da Consciência Negra
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O Dia 20 de Novembro marca o Dia da Consciência Negra, data dedicada para a reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira, bem como para nos conscientizarmos do sofrimento, mas também da resistência negra em todos os tempos.

A escolha da data se deve por ser o dia da morte de Zumbi, o líder do Quilombo dos Palmares. No período da escravidão, os escravizados não aceitaram essa condição  a eles imposta. Apesar do sofrimento e de toda a violência enfrentada havia a resistência. Uma das maneiras de resistir eram as fugas para os quilombos, como o de Palmares.

Porém foram mais de 350 anos de escravidão que deixou sua marca na sociedade.

20 de novembro x 13 de maio

Se a Lei Áurea que aboliu a escravidão no Brasil foi assinada em 13 de maio, por que essa data não é comemorada pelo movimento negro como um marco?

Porque se for olhar para o contexto do pós-abolição, e lermos sobre o tema, descobrimos que no momento da assinatura muitos negros já haviam alcançado a liberdade. Também porque o fim do período escravocrata não se deu neste dia, mas sim, foi um processo de muitos anos em que os próprios negros e negras buscaram a sua liberdade. Foram protagonistas da história.

Além disso, a lei que aboliu a escravidão era extremamente curta e conservadora. “Art. 1º. É declarada extincta, desde a data desta Lei, a escravidão no Brasil. Art. 2º. Revogam-se as disposições em contrário”. Nada mais que isso, depois de mais de três séculos de escravidão.

Não foram pensadas políticas públicas, leis, enfim não se proporcionou condições para que os libertos tivessem uma vida digna. Sem acesso à educação, saúde, moradia e outros direitos básicos, as populações, especialmente negras, continuaram vivendo excluídas e vítimas de preconceitos. Novamente foram os próprios negros que tiveram que se organizar e lutar por seus direitos, formando associações, clubes, comunidades negras, entre outros. É na Constituição de 1988 que as políticas para a população negra começam a ser incluídas.

A Cresol produziu um podcast sobre por que 20 de novembro e não 13 de maio, com a participação da professora de História da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Confira.

Ações Afirmativas para negros

Uma tentativa de reparação histórica aos negros são as ações afirmativas, colocadas no debate a partir de 1990 pela luta do movimento negro. “O Brasil é o país da segregação racial não declarada. Todos os indicadores sociais ilustram números carregados com a cor do racismo”, comenta o historiador Petrônio Rodrigues.

Para tentar diminuir as injustiças e desigualdades sociais, foi necessário criar programas de ações afirmativas para as chamadas “minorias” como negros, mulheres, indígenas…

Entre as ações mais conhecidas no Brasil estão as cotas para pretos e pardos em concursos públicos e universidades. A presidente da Comissão de Heteroidentificação do campus Chapecó da UFFS, Claudete Soares, explica que nessas avaliações são analisados mais como as pessoas são vistas socialmente do que como se veem. Ou seja, nestes casos são analisados os fenótipos dos concorrentes a vaga por cotas, que vão desde a cor da pele até outros traços.

Sabe-se que ser negro é uma questão também de se reconhecer como negro, porém, devido as tentativas de fraudes que ocorrem no país, foi preciso criar comissões de avaliação nestes concursos e universidades para evitar que novas injustiças ocorressem. Confira o podcast com a professora Claudete para saber mais sobre o tema.   

Vocabulário racista

Em uma sociedade em que tem-se o racismo estrutural, temos também um vocabulário racista e muitas vezes não nos damos conta do que falamos.

Você já parou para analisar que que expressões como “lista negra”, “ovelha negra”, “gato preto dá azar”, “a coisa tá preta”, por exemplo, são racistas? Ou outras como “denegrir”, “serviço de preto” ou “mercado negro”. Portanto, que tal excluirmos elas das nossas falas?

Negritude em Pauta

Com o objetivo de combater o preconceito e a discriminação racial, promovendo o respeito e a igualdade, a Cresol Central SC/RS está desenvolvendo neste ano de 2020 o projeto Negritude em Pauta. Acesse a página  https://materiais.cresolcentral.com.br/negritude-em-pauta e confira nossas produções referente ao tema.

Você sabia?

– O Brasil foi o último país ocidental a abolir a escravidão, após mais de 300 anos de exploração de mão de obra africana?

-Durante o período colonial e imperial o país ainda foi o maior importador de “escravos” africanos das Américas?  Estima-se que 4,8 milhões de africanos tenham desembarcado no Brasil.

-Aproximadamente 75% das vítimas de homicídio no país são negras.

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